Pular para o conteúdo principal

Juventude, Educação e Trabalho

Embora sejam múltiplas as condições dos jovens, a experiência deles no Brasil é ainda marcada pelo percurso tradicional que passa pela educação e pelo trabalho - elementos centrais vividos segundo as desigualdades de idade, gênero e classe.


Imagem: Campanha A Juventude Quer Viver - CAJU
Desde que seja garantido o acesso à educação, é na escola e na universidade que os jovens passam boa parte do seu tempo. Tempo esse fragmentado entre as múltiplas relações do ensino: Aprendizagem, socialização com os colegas e professores, busca do caminho para a concretização dos próprios sonhos, especialmente quanto ao futuro profissional.

Toda essa vivencia exige da educação muita proximidade da vida real, além da capacidade de assegurar aos estudantes a reflexão sobre o lugar de cada um no mundo como sujeito histórico. A qualidade do ensino, bem como a formação que constrói novas relações humanas baseadas na igualdade e na justiça, também é essencial para o universo escolar.

A escolaridade, somada ao acesso a outros direitos básicos pode determinar a trajetória profissional do jovem. Seu ingresso no mercado de trabalho, no Brasil, em geral acontece em postos simples e de pouca qualificação. No entanto quando se trata especificamente de mulheres e negros, a inserção se torna ainda mais difícil, além de o risco de desemprego ser maior, como apontam diversas pesquisas.

No caso dos negros, sejam ou não estudantes a situação é preocupante, já que compõe a grande maioria dos jovens desempregados. Sua presença na escola e na universidade tem crescido recentemente, em boa parte por causa do sistema de cotas, mas ainda há muito por fazer a fim de interromper os “ciclos de continuidade” na segregação.


Uma educação cidadã e humana, somada ao trabalho decente e justo para todos, é o horizonte que desejamos alcançar!

Paula Cervelin Grassi
Texto 5 da série "A Juventude no Brasil" - O Domingo (05/05/2013)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uns quantos piquetitos: Frida e sua denúncia da violência contra a mulher

Entre tantos quadros cercados de profundidades e denúncias da realidade de Frida Kahlo, Uns quantos piquetitos(1935) chama a atenção ao retratar uma situação freqüente enfrentada pelas mulheres naquela época e também nos dias de hoje, a violência doméstica. A pintura revela a brutalidade da violência física praticada contra a mulher. A obra é inspirada em uma notícia de um jornal mexicano de 1935, em que um homem bêbado jogou a namorada numa cama e a apunhalou cerca de vinte vezes. Quando questionado pela polícia sobre o crime, o assassinato respondeu que apenas foram umas “facadinhas de nada”. Sensibilizada pelo ocorrido, Frida desenha a cena do crime: o assassino com um punhal ensanguentado na mão e ao seu lado, o corpo nu da mulher marcado pelas facadas; o rastro de sangue está presente na roupa do homem, na vítima, na cama, no chão e alastra até mesmo a moldura da tela. A pintura, manchada de sangue, transborda da tela para a vida de Frida Kahlo. Na mesma época, a pintora mexic…

Olga Benário: "Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo"

HISTÓRIA: A MODA DA EUROPA NO SÉCULO XVII - Parte I

Disponibilizo nas próximas postagens um trabalho da matéria de Idade Moderna I sobre a moda da Europa no século XVII, escrito por mim e pela Pâmela Grassi.
A MODA DA EUROPA NO SÉCULO XVII - Parte I
Cada vez mais se desperta entre os estudiosos, a pesquisa e o conhecimento à cerca da moda. Numa época onde os trajes têm importância cultural e econômica e são um fator para a compreensão da sociedade contemporânea, nada mais pertinente que o estudo da História da Moda.
A moda como um fenômeno social insere-se historicamente em contexto e quando analisada revela vários aspectos da organização humana, como os hábitos e a forma de agir ou pensar. Como diz Anne Hollander:Todo o mundo sabe que as roupas constituem um fenômeno social; mudanças no vestuário são mudanças sociais. E mais,diz-se que transformações políticas e sociais refletem-se no vestuário (...)[1]Daremos especial atenção ao mundo das roupas do século XVII na França e na Inglaterra, centros a partir dos quais durante um lo…