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Olga Benário: "Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo"

E no mês de fevereiro, a memória é em torno da comunista Olga Gutmann Benário nascida em 1908 na cidade alemã Munique. Sua história de vida é cruzada pela história política da Alemanha e do Brasil, países em que morou durante anos. Sua coragem e dedicação pelo justo, pelo bom e pelo melhor no mundo até hoje são recordados como exemplos e inspirações. A judia, nascida numa família de classe média alta, recebia diariamente em sua casa na Alemanha uma presença especial como costuma brincar: a luta de classes. Seu pai, advogado e social – democrata (mas diferenciado, segundo Olga) era visitado por trabalhadores que pretendiam fazer demandas judiais contra os patrões. Já sua mãe, uma elegante dama da alta sociedade, via com o horror o comunismo. Aos 15 anos, a alemã i ngressa na militância política, através da organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD), a Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Anos mais tarde junto do seu então namorado Otto Braun, também militante com...

Simone de Beauvoir e Rosa Luxemburgo: poesias irreverentes e radicais

Mês de janeiro é mês de recordar duas irreverentes mulheres que marcaram seus tempos ao enfrentar corajosamente as convenções e o patrulhamento ideológico, e hoje são inspirações para a luta feminista e de Outro Mundo Possível: Simone de Beauvoir e Rosa Luxemburgo. Recontar, mesmo que brevemente essas histórias de experiências femininas, é também afirmar a importância das mulheres na história e romper o silêncio em que estávamos confinadas. Michelle Perrot, conhecida mestra da História das Mulheres, alerta em Minha História das Mulheres : As mulheres ficaram muito tempo sem o relato da história , como se, destinadas à obscuridade de uma inenarrável reprodução, estivessem fora do tempo, ou pelo menos fora do acontecimento (PERROT, 2007, p. 16). Para Perrot uma história sem as mulheres é impossível (p. 13). Assim, nas próximas linhas ao fazer memória da vida dessas destacadas mulheres, iremos contra as definições de histórias e seus agentes já estabelecidos como “verdadeiros...

Frida Kahlo e seu traje: “Ela estava pintando um quadro completo, com cores e formas”

Recordar Magdalena Carmen Frida Khalo y Calderon Rivera é recordar também da sua identidade visual, tão chamativa nas cores e formas aos olhos observadores, como descreve Lucile Blanch na frase acima. A pintora mexicana ao longo da sua vida adotou um traje que a tornou uma mulher espirituosa e extravagante, além de fortalecer sua adesão ao momento cultural que tomou conta de artistas do país na década de 20: retorno à arte mexicana, baseada especialmente nas raízes indígenas. O traje é originário das mulheres do istmo de Tehuantepec (Oaxaca, México), e compreende essencialmente a blusa bordada e a saia comprida. Segundo a história do istmo, as mulheres de Tehuantepec são conhecidas como imponentes, sensuais, inteligentes, corajosas e fortes. Vivem também em uma sociedade matriarcal, onde dirigem, por exemplo, o mercado local. Para Frida, o traje  tehuana tornou-se um elemento tão essencial da sua pessoa, que o pintou sozinho, sem seu corpo, por diversas vezes, como no intrigan...

Gênero e Educação

Durante a observação do Estágio do curso de Licenciatura e História realizado numa das escolas do meu bairro, presenciei um fato específico que me provocou a refletir a questão de gênero na educação. No ciclo de palestras realizado pela escola para o Ensino Médio no estágio, o palestrante do SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial insistiu aos alunos a importância de ingressar no mercado com experiência além de apresentar os diversos cursos técnicos que o Serviço disponibiliza para todos os alunos presentes. No entanto quando indagado por uma aluna sobre a inscrição ao serviço, o palestrante indicou o procedimento e logo em seguida sustentou que na escola técnica onde trabalha não há cursos voltados para as meninas , e assim sugeriu outra escola do SENAI que oferece o curso de corte e costura. Tal atitude demonstra o quanto o ambiente escolar desempenha um papel importante de manutenção, produção e reprodução da cultura dominante, e assim de uma cultura também sexist...

HISTÓRIA: Breve história da roupa durante os séculos - Parte III

Até então o vestuário na Europa desde o final da Antiguidade havia ve stid o homens e mulheres com vestimentas similares e que se assemelhavam a sacos curvilíneos sem co sturas. Figu ra 4 Desenho de estátuas romanas, in Vauther e Lacour, Monuments de sculptures antiques et modernes , Paris, 1839. Na Idade Média, especialmente o vestuário do homem ganha formas e ajustes. As vestes masculinas vão remeter aos cavaleiros, e as mulheres se apropriam de vestidos que cobrem todo o seu corpo. Figura 5 Rubens e sua esposa Isabella Brant, 1610, Peter Paul Rubens. Munique, Alte Pinakothek No Século XVI, a arte presente em diversos meios ganha espaço na moda. Ela começou a operar...